CARTAS ENVIADAS POR PAIS
1. HISTÓRICO DE VINÍCIUS AMANDIO BRESCOVIT
Com 28 anos estava esperando meu segundo filho numa gravidez complicada, pois perdia a placenta e o médico não conseguia detectar o problema e além disso estava com problemas familiares.
No dia 26 de Abril de 1995, no sétimo mês de gravidez, às 12:10 horas nasceu o Vinícius um bebê de 1.700Kg. Pôr ser prematuro iria ficar na incubadora até atingir 2Kg, porém após 8 dias e pesando 1.850Kg recebeu alta e pude levá-lo para casa com a orientação de amamentá-lo de 3 em 3 horas dia e noite.
O Vinícius se apresentava um bebê muito calmo, pouco se mexia e mesmo quando tinha fome não se manifestava, quase não se ouvia seu choro.
Na época achávamos que era conseqüência de ser prematuro e seus olhos puxados pensávamos que eram como os da minha irmã quando pequena. Porém quando completou 4 meses fui a pediatria para consulta de rotina. Sua passividade já começava a incomodar e no momento que a médica testava seus reflexos a certeza de que algo não estava bem ia se confirmando em meu peito, pois percebia que suas reações eram mínimas.
Não agüentando a ansiedade perguntei a médica se era normal a sua ração e ela pela primeira vez me disse que não e que já havia percebido antes outros fatores. Então me aconselhou aguardar um tempo a mais para se confirmar as suspeitas. Saí do consultório com a certeza de que não poderia ficar esperando para ver o que ia acontecer. Conversei com o meu marido e decidimos buscar recursos em outras Cidades, pois Amambaí e pequena, e após passar por mais dois médicos, veio a confirmação dos exames do Vinícius era uma criança Síndrome de Down. O Neurologista nos disse que era a mais fácil de se lidar e recomendou que deixássemos ele sempre perto da TV ou de música e que falássemos muito com ele.
Diante da situação não fiquei desesperada, pelo contrário, senti que Deus havia nos enviado aquela criança para unir seus pais e sua família.
Com 5 meses começou a freqüentar a APAE, por três vezes na semana, e eu comecei a buscar informações sobre Síndrome de Down, embora não fosse totalmente leiga no assunto, até encontrar a Equipe do Dr. José Carlos Véras.
Na ocasião da primeira consulta o Vinícius já estava com onze meses e com a palestra inicial do Dr. José Carlos Véras percebemos que estávamos certos na nossa busca, que o Vinícius teria toda a chance de se tornar uma criança independente, contradizendo muito do que já havíamos lido.
Em Março de 1996, iniciou uma nova etapa de nossas vidas. Voltamos para Amambaí (MS), conversamos com o pessoal da APAE e explicamos o porque do Vinícius não mais freqüentar a escola, porém surgiu comentários de que eu não queria aceitar o meu filho por isso ele não ia ficar mais na escola, mas isso não nos afetou. Tínhamos um rumo, um caminho no qual acreditávamos.
Nosso trabalho já tem 4 anos e 11 meses, a cada reavaliação em Curitiba (PR) voltamos preocupados, pois ao mesmo tempo que nos fortalece os avanços, a programação nos assusta.
Hoje Vinícius está bem, se relaciona com todo mundo, brinca, dança, mergulha, embora não tenha atenção/concentração desejada, o que dificulta na aprendizagem, inclusive da escola regular em que freqüenta. Sua agitação e seu comportamento e o aspecto Que mais preocupa, já que sua condição está cada vez melhor.
2. Queridos Pais,
Pedi a Eudete e sua mãe que nos fizessem um relato sobre suas experiências . Quando as conheci em Curitiba tive a certeza de ter encontrado mais um exemplo de sucesso de pessoas que acreditam no potencial humano.
Sua mãe como todas as mães , sempre acreditou no seu Potencial e principalmente não se deixou levar pêlos falsos profetas , aqueles que nada fazem e profetizam que não há nada a ser feito .
Espero que vocês gostem deste relato , sabemos que nosso caminho muitas vezes e árduo mais o importante e termos a certeza de estarmos dentando .
Um grande abraço para todos vocês e sempre um especial para nossos heróis "Nossas Crianças"
Atenciosamente
Profª Maria da Conceição Massa Véras
RELATO DA MARIA mãe da paciente Eudete Alves de Oliveira.
20.04.2001.
Minha filha começou a apresentar os primeiros sintomas de convulsão aos 8 anos..
Nessa ocasião procuramos um neurologista e iniciamos o tratamento. Quando Eudete já estava com dezesseis anos, levei-a a um neurologista em São Paulo, que me orientou no tratamento. Segundo ele, eu não deveria proibir minha filha de fazer tudo aquilo que ela se julgasse capaz. Proibir Eudete de coisas que ela poderia fazer só lhe faria mal . " Deixe sempre ela fazer o que tem se ser feito, sem essa de ficar o tempo todo querendo vigiar, pois isso a inibe e deixa as coisas piores, e o que é pior, não salva ninguém", disse-me ele.
Nessa época Eudete fazia natação tendo participado de campeonatos por dois anos se saindo muito bem. Além disso ela já andava há muito tempo de bicicleta, patins, carrinho de corre-mão, enfim, vivia muito bem toadas as etapas da sua vida.
Aos dezoito anos se casou, vindo a se separar dois anos depois já com uma filha que está hoje com dezoito anos. Depois de separada fez Faculdade e trabalhou como secretária quatro anos.
Ela continua tomando medicamento(espero que consiga larga-los) e leva uma vida normal
Eu, como mãe, sempre tive cuidado de deixa-la viver, lógico que sempre com uma boa orientação. Muitas vezes fui criticada, pois apesar dela ter convulsões, eu a deixava andar de bicicleta, nadar, enfim, fazer coisas que as pessoas consideravam perigosas. Eu particularmente penso que o perigo existe, é lógico, mas o ser humano precisa de liberdade de pensamento e de ação, só assim a pessoa se completa.
A Eudete é uma ótima pessoa, e uma pessoa normal, apenas com alguns segundos de perda de memória.
Eu confio muito em Deus, Ele fará pela minha filha aquilo que eu não puder e velará por ela as 24 horas do dia.
Maria, mãe confiante.
RELATO DE EUDETE ALVES DE OLIVEIRA 20.04.2001
Antes da Programação
Aos oito anos tive minha primeira convulsão. No começo não foi fácil enfrentar, um pouco devido a pouca idade, e também porque apesar de meus pais serem maravilhosos e me darem muita força, as vezes eu notava que elas se preocupavam por causa das convulsões. Eu fazia de conta que não percebia e sempre fiz o que achava melhor para mim, o que meu coração pedia, com isso superei inúmeras dificuldades.
Exemplo de metas
Sempre estabeleci metas e isso me ajudou muito a superar o negativismo e a alcançar o que queria.
Aos doze anos resolvi fazer natação e falei que não descansaria enquanto não conseguisse uma medalha, entrei em fevereiro e em outubro ganhei minha primeira medalha. Essa confiança, a auto estima e a auto-afirmação foram a base para meu crescimento, inclusive para fazer um curso superior.
Como sempre admirei os assistentes sociais, queria fazer o vestibular para Serviço Social, porém na época o curso era durante o dia e eu trabalhava, optei então por Sociologia.
Sempre tive consciência que teria que lutar para conseguir meu objetivo (me formar em Ciências Sociais) pois ninguém poderia faze-lo por mim. Consegui me formar apesar de as vezes pensar em desistir e trancar a matricula. O problema maior não era as convulsões e sim o fato de ter de conciliar trabalho e estudo. Na minha luta interna pedia sempre a Deus e ao Universo para que me fortalecessem a cada dia a fim de que eu pudesse realizar meu objetivo .
Aos vinte anos, fui trabalhar como secretária de dentista ficando neste emprego por 4 anos até meu patrão ser transferido para Londrina. Essa pessoa foi mais que um patrão, foi um verdadeiro amigo e tenho certeza que essa amizade também se deveu a minha maneira de ser. Depois fui trabalhar como vendedora no mesmo local onde trabalhava minha mãe.
Eu sempre me perguntava: "Por que estou trabalhando no que não gosto, será devido ao receio provocado pelas convulsões?" Ao mesmo tempo eu me respondia:" Ë unicamente por sua causa pois muita gente que não tem convulsão também trabalha onde não gosta e você é como elas.". Sempre me cobrei a respeito do que se passava comigo pois, tenho certeza que ninguém melhor do que a própria pessoa para saber o seu caminho.
A leitura também me ajudou bastante, alguns livros como "Você pode curar sua vida" de Louise Hay e "Amar pode dar certo" de Lair Ribeiro me deram forças para me impor como uma pessoa normal.
Toda vez que percebia preconceito por parte das pessoas eu lutava internamente e procurava dar a volta por cima com minhas respostas.
Exemplo do que as pessoas falam achando que você não percebe o preconceito por trás:
"Cuidado, segure a criança direito, ela pode cair!" Como você não cai o outro se sente perdido.
"Você viaja sozinha, não tem medo?" Medo de que?
"Você anda sozinha?" Por que você não anda?
"Você não tem medo de piscina ou rio"- Eu não você tem?
"Você tem sorte, esse homem que gosta de você sabe que você tem problema"- De qual problema você está falando?
"Que sorte você ter passado no vestibular". Sorte não, inteligência mesmo, ou você não acha?
"Cuidado ao ficar perto do fogão". - Por que?
"Você sobe em árvore, cuidado pode cair"- Por que? Você nunca caiu?
"Você vai a praia sozinha"- Eu vou e você?
"Você anda sozinha com dinheiro e se der uma crise". Por que se você vê alguém tendo convulsão você o socorre ou pega a carteira?
Enfrentei muito preconceito, destaquei algumas situações e tenho certeza que as pessoas que têm convulsões também passam pelo mesmo problema, por essa razão temos de saber nos colocar na vida pois, quando não nos colocamos bem aparecerá alguém se achando melhor.
Nós devemos ser "pra frente" sem jamais deixar Cristo para trás.
Estado psicológico
Com tudo isso se nós não tivermos uma força interior muito grande, nosso estado psicológico será afetado e enfraquecido e a nossa vontade de viver, de lutar pelos nossos direitos como ser humano vai por água a baixo. Temos então que pensar que existem também barreiras para homossexuais, negros, deficientes físicos e outros casos e se soubermos supera-las seremos mais felizes.
Muitas vezes quando se faz um serviço bem feito ou se pratica bem um esporte as pessoas ficam admiradas e falam "Nossa como você consegue fazer isso? Então respondemos: "Por que? Sabia que Santos Dumond também tinha esse problema de saúde?"
A pessoa fica assustada porque você percebe o preconceito contra epilépticos julgando-os incapazes.
Conseguindo superar as condições difíceis em nossas vidas nós caminhamos ao encontro da felicidade e de nossos objetivos.
E foi nessa caminhada de vida que me decidi a fazer uma cirurgia em Campinas, na UNICAMP, que, conforme me disseram me livraria de todos os problemas. todos esses
Após o início da programação
Quando fiquei sabendo do Grupo Véras estava em plena fase de exames na UNICAMP. Quase um ano depois decidi conhecer melhor o método, pois é outro tipo de medicina e também pensei que conhecimento nunca a é demais.
Ao me passarem a programação ha um ano atrás refiz de novo a minha meta pois desejava trabalhar em uma instituição filantrópica, por esta razão decidi que daria um prazo de três anos durante os quais seguiria religiosamente tudo que o tratamento determinasse, caso não desse resultado eu teria feito a minha parte.
Um ano depois
Minha esperança de conseguir o objetivo virou certeza pois me sinto mais animada, mais feliz, mais preparada para a vida, tanto que já adiei a cirurgia. Devido a essa decisão, há um mês atrás o Grupo de Médico pediu que eu fizesse um teste com uma psicóloga, por duas ou três horas respondi tudo sobre a minha vida. Após a avaliação a conclusão foi que estou preparada para viver com as convulsões que não seria necessária a cirurgia, os exercícios que tenho feito são o último recurso em relação a convulsão. Aprenderei a conviver mais feliz com meu problema de saúde e a impor mais o respeito aos outros. Caso eu me cure, ótimo, mais uma vez terei vencido, caso não consiga aprenderei a conviver com o meu problema e serei assim mais feliz a cada dia que se passa.
Através dos exercícios o meu estado psicológico melhorou de uma maneira inacreditável e sinto que meu aspecto também esta mudando, que a caminhada pela manhã e os outros exercícios estão me deixando com um ar mais feliz, é o que ouço todas as semanas das pessoas, pois esses exercícios, com certeza trabalham tanto o lado fisiológico como psicológico.
Meta
E de novo devo estabelecer metas. Se procuramos um tratamento que utiliza muito exercícios e não medicamentos temos que seguir a meta de fazer todos os exercícios todos os dias, podemos até determinar um tempo mas durante esse tempo fazer tudo certo. Se um dia você parar, não culpe somente o Grupo, pois se não fizermos tudo muito certinho a culpa também será nossa. Temos que ter essa consciência para que mais uma vez os outros ou o "mundo" não sejam responsáveis pela nossa vida e sim nós mesmos.
Com essa cobrança dentro de você, com a certeza de atingir a meta você terá mais força para lutar do dia a dia.
Com Carinho,
Eudete.
Olá!
Consultando a internet, fiquei muito surpresa em encontrar
associados do "The Institutes for the Achievement of Human
Potential" aqui no Brasil! E próximos de São Paulo (onde
moro). Gostaria também de aproveitar a oportunidade e
parabenizar a iniciativa - constatei que o rendimento intelectual
das crianças que são estimuladas com bits de inteligência,
palavras, matemática..., eleva-se enormemente. Particularmente,
devo muito ao conhecimento transmitido por Glenn Doman: a visão
que ele nos apresenta da criança me possibilitou um campo novo
de atividades e estímulos apropriados para a criança!
Parabéns e muito obrigada desde já!
A. L. C.(São Paulo, SP)
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